Um observatório cívico
Auditoria Cidadã é uma plataforma independente de pesquisa em transparência pública. Trabalhamos com uma premissa: transparência não é a publicação de dados. É a possibilidade de interpretá-los.
Premissa
Dados administrativos isolados informam pouco. Um valor contratado, fora de série histórica e de comparação entre pares, é cifra sem sentido público. A camada faltante — e que tribunais de contas, imprensa e cidadãos têm pouco tempo de produzir cotidianamente — é a camada interpretativa: contexto, agregação, comparação, narrativa metodológica.
Essa é a função da plataforma. Reorganizar dados públicos do Executivo federal, aplicar regras explicáveis para sinalizar padrões e devolver ao leitor um conjunto de leituras possíveis — sob responsabilidade declarada.
O que fazemos
- Coletamos contratos do Executivo federal via API do Portal da Transparência (CGU).
- Construímos séries históricas, agregações por órgão e por função de governo.
- Aplicamos regras estatísticas explicáveis que sinalizam padrões merecedores de checagem.
- Apresentamos contexto comparativo — mediana de pares, sazonalidade, concentração.
- Documentamos integralmente nossa metodologia.
O que deliberadamente não fazemos
- Não atribuímos responsabilidade a pessoas físicas ou jurídicas. Sinais não são acusações.
- Não construímos rankings nominais de servidores ou parlamentares.
- Não republicamos dados pessoais identificáveis — CPF, endereço, contatos pessoais — ainda que apareçam em documentos públicos. Ver Tratamento de Dados.
- Não substituímos órgãos oficiais de controle. Operamos como camada complementar.
- Não fazemos jornalismo investigativo. Oferecemos pontos de partida para quem faz.
Limites analíticos
Toda análise automatizada tem ponto cego. Regras estatísticas presumem regularidade — e o setor público brasileiro tem heterogeneidades estruturais que regras genéricas capturam mal. Mercados monopolistas legítimos, contratos plurianuais concentrados, emergências sanitárias e mudanças de política pública geram sinais que parecem anômalos sem serem irregulares.
Por isso a plataforma trabalha com vocabulário de sinal investigativo, não de indício ou denúncia. A diferença é jurídica e editorial — e está descrita na seção Aprender.
Fontes
Contratos: API do Portal da Transparência (Controladoria-Geral da União). Catálogo de órgãos: SIORG. Cota parlamentar (CEAP/CEAPS), Judiciário (STF, STJ, CNJ) e Ministério Público têm APIs próprias e estão no roadmap — o catálogo já sinaliza esses órgãos como pendentes. Normalizações futuras por deflator e per capita usarão séries do IBGE e do IPEA. Toda análise preserva o vínculo com a fonte oficial.
Estado de desenvolvimento
A plataforma é experimental. Funcionalidades estão em amadurecimento e a calibragem das regras será revisada conforme a amostra cresce. Apoios, críticas e contestações são bem-vindos — ver Contestar.
Roadmap
- Integração com Câmara e Senado (cota parlamentar).
- Integração com Judiciário e Ministério Público (folha, contratos).
- Estados e municípios, em parceria com observatórios locais.
- Cruzamento gasto × resultado com DataSUS, INEP e SINESP.
- Ranking de transparência institucional por órgão (cobertura, latência, completude).
- Sanitização de PII no momento da ingestão, não apenas na exibição.